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Ansiedade e cansaço no trabalho de 50% dos brasileiros

Flávia Ivo | flavia.ivo@i-maxpr.com

Flávia Ivo | flavia.ivo@i-maxpr.com

09 de março de 2021

Ansiedade e cansaço são as emoções mais frequentes no ambiente de trabalho dos brasileiros, tendo a falta de empatia colaboração importante para a estatística.

Este foi um dos resultados a que chegou a pesquisa “Comunicação Não-Violenta nas Organizações no Brasil”, conduzida pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje).

De acordo com o estudo, realizado nas cinco regiões do Brasil em empresas nacionais e multinacionais de pequeno, médio e grande portes, de quase todos os setores da economia, os colaboradores são sensíveis a necessidades não atendidas nos locais de trabalho e outras situações, o que provoca estados emocionais teoricamente não desejados pelas corporações.

Veja, no gráfico abaixo, quais os sentimentos mais citados pelos entrevistados:

Estados emocionais ambiente de trabalho
Ansiedade e cansaço estão entre os 10 estados emocionais mais assinalados como presentes no trabalho

Percepção dos colaboradores

A ansiedade e cansaço são as emoções mais presentes no ambiente de trabalho. A primeira, para mais da metade dos brasileiros. Já o cansaço é citado por 47% dos entrevistados. Sob outro espectro, a gratidão, estar confiante e determinado foram citados por 32%, 28% e 26% dos entrevistados, respectivamente.

Leonardo Müller, economista e doutor em Filosofia pela USP, e Carlos Ramello, consultor de Recursos Humanos e Desenvolvimento Organizacional, ambos colaboradores da Aberje e condutores da pesquisa, explicam que o estudo não trata do entendimento de como as empresas projetam a Comunicação Não-Violenta (CNV), mas sim de uma observação sobre a percepção de pessoas, equipes e lideranças sobre os preceitos da metodologia.

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Além disso, o quanto estão conscientes sobre as oito dimensões da CNV: empatia, escuta, observação, sentimento, atendimento de necessidades, formulações de pedidos, responsabilização e tratamento de conflito.

Curadora da pesquisa, a especialista em CNV Pamela Seligmann, consultora e professora na Escola Aberje de Comunicação, explica, neste vídeo, o que é a CNV:

“A partir dessas oito dimensões, foram elaboradas as perguntas. A ideia era que as pessoas pudessem nos contar como elas percebem a organização onde trabalham enquanto à qualidade de escuta, ao atendimento de suas demandas, se há uma comunicação baseada em fatos e dados ou em julgamentos e como lidam com conflitos”

Pamela Seligmann, curadora da pesquisa

Empatia em duas esferas

O entendimento desses conceitos da Comunicação Não-Violenta são essenciais para a compreensão dos resultados da pesquisa da Aberje, levanta a especialista.

Isso porque a CNV tem seus pilares na escuta e na empatia com os outros e consigo mesmo e na identificação de necessidades.

“As necessidades estão por trás de tudo o que fazemos. Cada vez que temos um ato de violência estamos expressando uma necessidade que não está sendo atendida. De alguma forma, quando somos grosseiros, rudes, violentos, estamos pedindo ajuda”.

A falta de empatia dentro das empresas, por exemplo, foi observada por 89% dos colaboradores ouvidos no estudo.

Dimensões Comunicação Não-Violenta (CNV)
As 8 dimensões da Comunicação Não-Violenta

No entanto, Pamela Seligmann aponta, em vídeo disponibilizado no Instagram da Aberje e destacado acima, que esta empatia conhecida e falada nos últimos anos não é, necessariamente, a mesma presente na CNV.

“É uma empatia profunda, sem julgamento, sem crivo. Eu posso imaginar como você se sente quando você me diz que se sente triste por algo que te aconteceu. Não é necessário que eu esteja em seu lugar ou viva o que você viveu para aprovar o que você está sentindo. É algo muito humano”, expõe a curadora da pesquisa.

Conexão com colegas

Um outro viés interessante de se perceber na pesquisa da Aberje é a conexão com os colegas de trabalho. Visto que as seções pesquisadas foram “Minha Equipe”, “Meus Pares”, “Liderança” e “Empresa”, o núcleo mais próximo ao funcionário foi o que apresentou os melhores índices.

Os colaboradores se sentem mais atendidos em escuta, necessidades e resolução de problemas junto a seus pares.

“Quanta conexão uma pessoa sente com a ‘empresa’ se comparado com ‘minha equipe’? Podemos pensar que proximidade gera conexão? Provavelmente, sim. Então, o que uma liderança precisa fazer/comunicar para que as pessoas se sintam tão próximas e conectadas quanto se sentem com sua própria equipe?”, provoca Pamela Seligmann.

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De olho nos resultados

Para ela, as empresas precisam olhar para os resultados da pesquisa e fazer uma linguagem de CNV não passiva, entendendo que os indivíduos devem agir com protagonismo, sendo responsáveis pelo que querem e escolhem.

“Estamos muito deficitários emocionalmente. Muitos não sabem identificar as suas necessidades, por isso não buscam atendê-las. Um dos caminhos para reconhecer as próprias necessidades é o autoconhecimento, que pode vir por meio de terapia, de meditação e do aprendizado da Comunicação Não-Violenta, que é uma ferramenta incrível para melhorar as conexões pessoais e profissionais”, observa a especialista.

(*) Com Aberje e Agência Brasil
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